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Quanto custa casar no civil

Publicado em 02 de novembro de 2026

Certidão de casamento civil brasileira apoiada na grama, com duas alianças de ouro entrelaçadas ao lado do brasão da República e do QR code do selo digital, entre folhas secas

Resposta rápida

Casar no civil custa entre R$ 237,84 (Pernambuco) e R$ 581,15 (São Paulo) para o processo completo dentro do cartório, segundo as tabelas oficiais de 2026 de cinco Tribunais de Justiça. Fazer a cerimônia fora do cartório multiplica esse valor, chegando a R$ 1.937,17 em SP. Quem declara pobreza tem direito a habilitação, registro e primeira certidão gratuitos, por força do artigo 1.512 do Código Civil.

Casar no civil custa entre R$ 237,84, em Pernambuco, e R$ 581,15, em São Paulo, para o processo completo dentro do cartório. É o que mostram as tabelas oficiais de 2026 de cinco Tribunais de Justiça. Fazer a cerimônia fora do prédio do cartório multiplica essa conta: em São Paulo, chega a R$ 1.937,17.

Esse número não é cotação de mercado, é taxa pública. Cada estado fixa sua própria tabela de emolumentos por lei estadual e a corrige uma vez por ano, quase sempre pelo IPCA. Não existe preço nacional para casar no civil, e a diferença entre o estado mais barato e o mais caro da nossa apuração passa de duas vezes.

Quanto custa em cada estado

EstadoHabilitaçãoCelebração no cartórioTotal no cartórioFora do cartório
Pernambucoincluída no pacoteincluída no pacoteR$ 237,84R$ 484,96
Rio de JaneiroR$ 348,35R$ 206,72R$ 555,07R$ 747,82
Minas GeraisR$ 360,69R$ 94,16 (sem certidão)R$ 454,85R$ 673,40
Paranáincluída no pacoteincluída no pacoteR$ 369,00R$ 492,00
São Pauloincluída no pacoteincluída no pacoteR$ 581,15R$ 1.937,17

Minas Gerais cobra a certidão à parte (a partir de R$ 53,11), então o pacote completo com uma via sai por, no mínimo, R$ 507,96.

Pernambuco é o mais barato dos cinco e também o mais simples de calcular: a tabela do TJPE junta preparo de papéis, celebração e uma certidão num valor só, R$ 237,84, mais uma Taxa de Fiscalização que começa em R$ 6,59. São Paulo é o mais caro, mas também funciona em pacote fechado: a Tabela V da ARPEN-SP cobra R$ 581,15 pela lavratura do assento na sede, "incluindo todas as despesas", com uma única exceção declarada na própria tabela, o edital de proclamas, que custa R$ 19,20 à parte se publicado em jornal eletrônico.

Rio e Minas fazem diferente: cobram a habilitação e a celebração como dois atos separados. No Rio a soma dá R$ 555,07. Em Minas, a tabela do TJMG exclui até a certidão do valor da habilitação, o que deixa o cálculo mais fatiado do que nos outros quatro estados.

Por que o preço muda tanto de um estado para outro

Não existe uma tabela federal de emolumentos. A Constituição delega a cada Tribunal de Justiça estadual, por meio da Corregedoria-Geral de Justiça, o poder de fixar e corrigir os valores cobrados pelos cartórios do seu estado. Isso vem de leis estaduais distintas: São Paulo usa a Lei 11.331/2002, o Rio a Lei 3.350/1999, Minas a Lei 15.424/2004, Paraná a Lei 6.149/1970 e Pernambuco a Lei 11.404/96, cada uma com a própria fórmula de correção monetária.

A correção costuma sair uma vez por ano, no fim de dezembro, para valer a partir de 1º de janeiro. Pernambuco reajustou em 4,461840% para 2026, o índice do IPCA acumulado entre dezembro de 2024 e novembro de 2025. O Rio de Janeiro fugiu do calendário de janeiro: a tabela hoje em vigor só passou a valer em 9 de março de 2026, depois de uma lei estadual de dezembro de 2025 mudar a fórmula de cálculo.

O que pode empurrar o valor pra cima

Casar fora do cartório. É o item que mais pesa. Em casa, num sítio, numa igreja sem o pároco autorizado a celebrar com efeito civil, ou em qualquer lugar fora do balcão do cartório, o valor sobe porque o oficial e o juiz de paz precisam se deslocar. A tabela cobre a diligência, não o transporte: em Minas Gerais, por exemplo, o juiz de paz recebe uma diligência indenizatória à parte, R$ 356,15 na zona urbana e R$ 712,30 na zona rural, sempre por conta do casal.

Edital de proclamas de outro cartório. Quando a habilitação corre numa cidade e o casamento acontece em outra, alguém precisa afixar o edital no cartório de destino. O Rio cobra R$ 122,87 por isso, o Paraná R$ 50,00 pelo registro de editais recebidos de outro ofício.

Documento de noivo estrangeiro. Certidão de nascimento ou de estado civil emitida fora do Brasil precisa de tradução juramentada antes de entrar no processo de habilitação. Esse custo não aparece em nenhuma tabela de cartório porque é cobrado por um tradutor público, à parte.

A Taxa de Fiscalização em Pernambuco. Além do valor do ato, o TJPE cobra a TSNR, uma taxa que sustenta a fiscalização dos cartórios pelo próprio tribunal. Para atos sem conteúdo financeiro, como a habilitação de casamento, ela começa em R$ 6,59.

Quem tem direito ao casamento de graça

Todo casal que se declarar pobre. O artigo 1.512 do Código Civil garante que a celebração do casamento é gratuita e isenta de selos, emolumentos e custas a habilitação, o registro e a primeira certidão para quem declarar, sob as penas da lei, não ter condições de pagar por eles. Não precisa apresentar comprovante de renda: a própria declaração, assinada no cartório, já basta para o pedido.

As cinco tabelas que apuramos repetem essa regra com a mesma base legal. O Paraná, por exemplo, cita o artigo 30, parágrafo 1º, da Lei de Registros Públicos como fundamento direto da gratuidade em sua própria tabela.

É uma fração pequena da festa

Em 2024, mais de 940 mil casais registraram casamento civil no Brasil, segundo o IBGE, alta de 0,9% sobre 2023. A maioria paga a taxa do cartório sem nem perceber o tamanho dela dentro do orçamento total: mesmo os R$ 581,15 de São Paulo, o mais caro dos cinco estados, é menos do que o que se paga por um fotógrafo de casamento, que fica entre R$ 1.500 e R$ 3.812 pela cobertura completa. Frente aos R$ 24.662 a R$ 55.729 que nossa apuração de quanto custa um casamento para 100 pessoas levantou com fornecedores de festa, o civil pesa menos de 3% do total.

O prazo, não o preço, costuma ser o problema. A habilitação passa por edital de proclamas, reunião de documentos de dois noivos e de testemunhas, e o tempo de resposta varia por cartório. Encaixar isso no cronograma é mais fácil olhando o checklist de casamento com prazo e preço de cada etapa, que trata a parte civil como uma etapa com data própria, não como um detalhe de última hora.

De onde vêm os números

Estes valores vêm de tabela oficial de emolumentos, publicada pela Corregedoria-Geral de Justiça de cada estado, não de cotação de fornecedor. Por isso o método de percentil que usamos em outras apurações do site não se aplica aqui: um cartório não compete com outro no preço, porque o valor é o mesmo em qualquer serventia do estado.

Quem mediu. Os cinco Tribunais de Justiça nomeados na tabela: TJSP (via ARPEN-SP), TJRJ, TJMG, TJPR e TJPE. Cada um publica sua própria tabela, com o próprio número de portaria, lei ou ato normativo.

A janela de tempo. São Paulo está em vigor desde 8 de janeiro de 2026. Minas Gerais e Pernambuco, desde 1º de janeiro de 2026. O Rio de Janeiro, desde 9 de março de 2026. O Paraná não declara uma data de início na própria tabela consolidada; ela está publicada como a versão vigente no portal do Foro Extrajudicial do TJPR, consultada em setembro de 2026.

O que inclui e o que exclui. Comparamos o valor de habilitação e o de celebração no cartório, quando a tabela separa os dois atos, e o valor de casamento fora da sede do cartório em todos os cinco. Ficaram de fora: certidões extras além da primeira, averbações posteriores, e as regras de como cada estado remunera o juiz de paz, que variam bastante: Minas Gerais e Paraná preveem uma diligência paga à parte por fora do valor do casal, enquanto Rio de Janeiro e São Paulo já embutem essa parcela dentro do próprio valor cobrado do casal e a repassam depois ao juiz de paz internamente.

O que não conferimos. As outras 22 tabelas estaduais, que não pesquisamos por não serem as praças de referência deste site. Dentro de São Paulo, o valor também varia por município, porque o ISS embutido na conta oscila entre 2% e 5% conforme a prefeitura; usamos a versão com ISS de 5%, a mesma alíquota da capital. E não conferimos se alguma das cinco tabelas mudou depois de setembro de 2026, quando fechamos esta apuração.

Para o resto do planejamento, do orçamento da festa ao prazo de cada fornecedor, tudo sobre casamento reúne o que já apuramos sobre o assunto.

Perguntas frequentes

  • Quanto custa a habilitação de casamento no civil?

    Varia por estado: R$ 237,84 em Pernambuco, R$ 348,35 no Rio de Janeiro, R$ 360,69 em Minas Gerais e R$ 369,00 no Paraná. Em São Paulo a habilitação não é cobrada separada: o cartório cobra um pacote de R$ 581,15 que já inclui a celebração, salvo quando a habilitação é feita numa serventia e o casamento em outra, caso em que a habilitação sozinha custa R$ 395,35. Valores das tabelas oficiais vigentes em 2026.

  • O casamento civil pode ser de graça?

    Sim, para quem declarar pobreza. O artigo 1.512 do Código Civil garante celebração gratuita a todo casal e isenta de selos, emolumentos e custas a habilitação, o registro e a primeira certidão de quem declarar não ter condições de pagar, sob as penas da lei. A declaração é feita pelo próprio interessado, sem precisar comprovar renda com documentos.

  • Por que o preço do casamento civil muda tanto de um estado para outro?

    Porque não existe tabela nacional. Cada Tribunal de Justiça estadual fixa sua própria tabela de emolumentos por lei estadual e a corrige uma vez por ano, normalmente pela variação do IPCA. Pernambuco corrigiu em 4,46% para 2026, por exemplo. O valor de um mesmo ato, como a habilitação de casamento, pode variar mais de duas vezes entre o estado mais barato e o mais caro da nossa apuração.

  • O valor da habilitação já inclui a certidão de casamento?

    Depende do estado. Em Pernambuco sim: os R$ 237,84 cobrem papelada, celebração e uma certidão. Em Minas Gerais não: a tabela separa habilitação (R$ 360,69), assento do casamento (R$ 94,16) e certidão à parte (a partir de R$ 53,11), o que soma pelo menos R$ 507,96 pelo pacote completo com uma via da certidão.

  • Quanto custa casar fora do cartório, em casa ou num sítio?

    Bem mais caro que casar no balcão do cartório. Em São Paulo sobe para R$ 1.937,17, no Rio de Janeiro para R$ 747,82 (ou R$ 825,75 se for fora do distrito sede), em Minas Gerais para R$ 673,40, no Paraná para R$ 492,00 e em Pernambuco para R$ 484,96. O valor cobre o deslocamento do oficial e do juiz de paz, mas não inclui o transporte deles até o local, que fica por conta do casal.

  • Além da taxa do cartório, tem mais algum custo no casamento civil?

    Pode ter. A publicação do edital de proclamas custa à parte quando pedida em outro cartório (R$ 122,87 no Rio, por exemplo, ou R$ 19,20 em São Paulo se for no jornal eletrônico). Pernambuco cobra ainda uma Taxa de Fiscalização (TSNR) a partir de R$ 6,59 sobre qualquer ato. Se um dos noivos for estrangeiro, some tradução juramentada de documentos, que não entra na tabela do cartório.

Fontes